OFICINA DAS MAÇANETAS, ALUCINAÇÕES E VISÕES

OFICINA DAS MAÇANETAS, ALUCINAÇÕES E VISÕES

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

DE MEUS “PASSA-TEMPOS”



Passo as páginas
[...]
E as horas juntas
                      [...]
... Viagem livre...
Mente leve... !
...Leve mente...(!)
... Levemente...(se-
rá que durmo ?)
será que fumo... ? será
que padeço... ? Ou será
que me esqueço ?
(Pedras de escadas. Água de sede e de banho.
Crianças de correria. Os animais amigos. Ver-
de verdade. Puro e místico como nos contos.
Será ?)
Será, mesmo ?
Foda-se, não importa !
                                           Vou subir nas pedras,
                                            Mergulhar e beber e
Me entregar a tal deleite, sonho, viagem =
Sei lá... !





 Autor: BACO.
Redigido, editado e psicografado por:
Max Honorato, o maldito.

Com Amor, A minha Senhora



Vinde aqui, ó ma senhora,
Para que tu, afobada, proves
O amor que não provara outrora,
E que teu “amante” te deves.

Pois temo que a presa
Cace o bom cavalheiro.
E não me coça a empresa
Ser cuidada pelo teu olheiro.

Voemos ao sonho, minha dama.
Hão de nos valer os calores d’alma
Quando nosso amor encontrar a calma.

Oferto-me em amplidão à teu acatado querer,
Só esperando o mesmo de teu parecer,
E vosso gesto siga como o alvorecer.




Autor: BACO.
Redigido, editado e psicografado por:
Max Honorato, o maldito.

O XAMÃ

Ele vem vindo
Sonâmbulo, gritando excitado
Pelo teor de seu cachimbo,
Acendendo-se em verdade e logro,
Incorporando num mesmo átimo
A divergência dos inseparados,
De seu negro e introspecto dorso,
À revelia da fachada zombeteira e alva.

Esta persona turva, difusa
Bruxuleava em agonia,
Enquanto uma melodia sombria
Fermentava a letargia
Que o conduzia,
Numa dança maníaca
Buscando alguma experiência,
Uma alegria, um prazer suicida.

Era um existir clandestino,
Num frêmito demoníaco
Cantando, girando, queimando...
Em uma tamborilar baconíaco,
Com olhos vermelhos e lisérgicos,
Assobiando a magia da flauta,
Que sensações ligeiras imprestava
Em busca do reino dos mistérios.





Autor: BACO.
Redigido, editado e psicografado por:
Max Honorato, o maldito.

AS DIMENSÕES DO SONHO BEBADO

O nebuloso azul
Vem serpeando,
Não vês ¿

O deformado azul
Vem desferindo pelas orlas,
Desviando pelas vielas,
Escorrendo pelas alamedas,
Não sentes ¿

Ah, que triste os teus
Sentidos estreitos.
Ah, quisera eu fazer-te
Poder perder-se no azul...
Perder-te num aspecto de mar,
Num refluxo...
Num reflexo estelar !

A estrela nos conduz,
E o cruzeiro vertido em fumo
Parte. Parte ¿ Nunca partiu !
– suturas lentas no sal –
Mas não volvemos ao cais.
Não te tocas ¿

Então beba, beba, beba!

Extrapole, ó funesto socrático.
E aguente deslizar
Toda a tensão causada
Pelos demônios do oceano
De Estrelas !

Encontrarás a vertigem
De toda inocência,
A extensão caótica do novo
E eterno !

Ah, que bálsamo zonzo
Do azul...!
Ah, o estonteante prazer
De cruzar
As ondas do céu
Causa em mim um pileque
Partido com as guias
E luas.

Ébrio, me visto de prata
E então canto à voz de vinho.
Desfaço-me nas nuvens,
Aniquilei-me no mar dos sonhos,
Fugi no espaço de meu porre.

E tu, ficaste na tristeza de minha morte ¿



Autor: BACO.
Redigido, editado e psicografado por:
Max Honorato, o maldito.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

SOCIEDADE PERDIDA


Nos primeiros socos

Da luz,

Júbilos aos novos sopros

Da cruz!

Lustre de cobre nas correntezas,

Tranquilas,

Derretiam sobre os edifícios

Selvagens,

Os animais não eram surdos e cantávamos

Todos a

Mesma canção

Surda!

Ah, !

?
...

[ ... ]

Sim...

Mas não!

Por ora violam nosso recanto

Gentil!

Com minérios apanhados de ordem

Divina,

E transformam nossas crianças em

Anciões,

Nossas mulheres não mais podem

Reter

Na boca morena e suada

O doce

E os seus belos seios se tornaram

Agrestes,

Nossas vagabundas não possuem

Mais

A virgindade da intuição sem pejo,

Pois

Em uma manhã visão de sépia

Todos,

Todos acordaram...

Trepidos

E ouvimos escândalos de falsetes

Sem amor,

E alertavam dos bangalôs

Das moças,

Era o avanço da evolução sangrenta-

Civilizada,

O início da expansão da moral inimiga

De si!

A priori o atentado primeiro ao sol,

A lua,

E a chuva que descai cândida ao fim

Da tarde...

Desde as primeiras sombras

Do progresso!





 

Autor: BACO.
Redigido, editado e psicografado por:
Max Honorato, o maldito.

domingo, 5 de dezembro de 2010

A INOCÊNCIA DO SÁBIO

"Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós.O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir.Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.Onde está o arvoredo? Desapareceu.Onde está a águia? Desapareceu.É o final da vida e o início da sobrevivência.



AUTOR: Chefe Seattle